Dr. Roberto Ayres - cirurgia do aparelho digestivo, endoscopia digestiva e obesidade

Doença Inflamatória Intestinal (DII)

A doença inflamatória intestinal (DII) é uma afecção na qual o intestino se torna vermelho, inchado e com feridas. Existem dois tipos predominantes: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa inespecífica. Embora sejam doenças distintas, compartilham algumas semelhanças. Ambas são crônicas e incluem recidivas (recaídas) e períodos de bem-estar (remissões). Em geral, afetam pessoas entre 10 e 40 anos de idade, mas podem, algumas vezes, manifestar-se pela primeira vez em crianças menores e idosos.

A retocolite ulcerativa inespecífica acomete apenas a mucosa(camada interna) do intestino grosso, conhecido como cólon (daí o tem colite). A doença de Crohn, que possui esse nome por causa do gastroenterologista americano Burrill Bernard Crohn, que a descreveu em 1932, pode afetar qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus, porém incide mais comumente no cólon ou no intestino delgado, podendo envolver toda espessura da parede intestinal.

Trato gastrointestinal

O trato gastrointestinal é um tubo oco que se inicia na boca e vai até o ânus, medindo aproximadamente 8 metros. Nele ocorrem a digestão, a absorção de nutrientes e o armazenamento e a expulsão dos resíduos não digeridos. Divide-se em boca, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cólon) e reto (a porção distal do intestino grosso que se estende até o canal anal).

Como mencionado, a doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato digestivo, desde a boca até o ânus. Os locais mais comumente afetados pela doença de Crohn são a porção terminal do intestino delgado (íleo terminal) e o cólon. Outras porções do intestino delgado (duodeno e jejuno) encontram-se, algumas vezes, comprometidas na doença de Crohn, mas esta raramente afeta o esôfago ou o estômago. A retocolite ulcerativa inespecífica afeta apenas o intestino grosso (cólon ou reto).

Qual é a causa da doença inflamatória intestinal?

A verdadeira causa da DII é desconhecida, mas há alguns indícios. Sabe-se que existem alguns fatores genéticos, porque etnias diversas têm incidências diferentes e agrupamentos das doenças ocorrem em determinadas famílias. Outras possíveis causas incluem infecção viral ou bacteriana e fatores relacionados ao sistema imune. Fatores psicológicos podem precipitar um ataque agudo em pessoas que sofrem da doença, mas nunca foram considerados seus causadores. É notório o fato de que a incidência da doença de Crohn esteja aumentando em países industrializados.

Qual é a perspectiva (prognóstico) de longo prazo a pacientes com doença inflamatória intestinal?

O resultado de longo prazo da DII é muito variável e para cada paciente será diferente. Por esse motivo, não é usualmente possível tecer comentários até que paciente em particular tenha sido observado durante alguns anos. Muitos pacientes sentem-se muito bem, sofrendo apenas durante pequenos períodos intermitentes. A perspectiva de uma vida normal não é afetada nem pela doença de Crohn nem pela retocolite ulcerativa inespecífica. Entretanto, a DII é uma doença crônica caracterizada por fases agudas, nas quais a doença reaparece e, por períodos de remissão, durante os quais a doença causa poucos problemas. Por meio de check-ups regulares e do uso das medicações prescritas, pode-se prolongar os períodos de remissão e minimizar as recaídas agudas.

Há algum risco de câncer associado à doença inflamatória intestinal?

Pacientes com retocolite ulcerativa inespecífica há dez anos ou mais, particularmente com o cólon inteiro afetado (pancolite), apresentam maior risco de desenvolver câncer intestinal. Por Esso razão, deve-se efetuar colonoscopias regulares para detectar a presença de alterações pré-cancerosas. Há também certo risco de surgimento de câncer intestinal em pacientes com doença de Crohn quando esta envolve o intestino grosso. Seu médico explicará com que freqüência você deve fazer o exame de colonoscopia.

Que efeitos a doença inflamatória intestinal terá em minha carreira e atividades de lazer?

Em geral, a DII deveria ter poucos efeitos negativos tanto na carreira quanto no lazer. No entanto, quando os ataques agudos ocorrem, os pacientes podem necessitar de um período de afastamento do trabalho. Além disso, trabalhos sedentários são freqüentemente mais adequados do que os que requerem esforço físico, particularmente a pacientes sujeitos a recaídas freqüentes. Pacientes que sofrem dessa doença não são desencorajados a praticar esportes de qualquer modalidade, no entanto recomenda-se que não pratiquem exercícios físicos durante as recaídas agudas.

Quais são os efeitos da doença inflamatória intestinal sobre o sexo, a gravidez e o planejamento familiar?

Embora a DII não deva interferir no sexo, na gravidez nem no planejamento familiar, os pacientes devem ter em mente que:

  • na doença de Crohn, a fístula perianal pode interferir na atividade sexual. Em tais casos, deve-se procurar auxílio médico;
  • no caso de recaídas agudas, tanto da retocolite ulcerativa inespecífica quanto da doença de Crohn, a menstruação pode ser temporariamente afetada;
  • durante as recaídas, particularmente se a diarréia é um problema, a eficácia do comprimido anticoncepcional de uso oral pode ser menor, e outros métodos de contracepção devem ser utilizados;
  • não há evidência sugestiva de que tanto a retocolite ulcerativa inespecífica quanto a doença de Crohn sejam adversamente afetadas pela gravidez.

Entretanto, se você estiver fazendo planejamento familiar ou desejar engravidar, deve sempre falar sobre isso com seu médico. É melhor tentar a concepção durante a remissão da doença, ou seja, quando estiver se sentindo bem.

Recaídas agudas durante a gravidez podem ser seguramente tratadas com corticosteróides ou aminossalicilatos sem dano para o feto ou o embrião.

Cuidados para os portadores de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa Inespecífica

  1. Evite o uso de anti-inflamatórios, pois podem irritar o tubo digestivo e ativar a doença. Em caso de dúvida, consulte seu médico antes de ingerir qualquer nova medicação.
  2. Evite papel higiênico. Procure se lavar após as evacuações, pois isso evita possíveis irritações locais.
  3. Nas crises de diarréia, procure não consumir fibras alimentares, principalmente as insolúveis (verduras cruas, casca de frutas etc.), porque podem piorar o quadro.
  4. Não consuma condimentos picantes, pois são agressivos aos intestinos, ainda mais quando estes estão inflamados.
  5. Sempre que consultar algum médico ou especialidades da área de saúde, informe sobre sua doença.

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