Dr. Roberto Ayres - cirurgia do aparelho digestivo, endoscopia digestiva e obesidade

Constipação Intestinal

A constipação intestinal, também chamada de prisão de ventre, é uma doença bastante comum em nosso meio. Essa afecção acomete pacientes em qualquer fase da vida, desde os bebês até os idosos. Estudos brasileiros mostram elevada prevalência entre lactentes (17,5% a 37,5%). Um estudo recente que analisou quase 400 adolescentes no interior do estado de São Paulo mostrou essa doença em torno de 22% (27% em mulheres, 15% em homens), tendo sido seus pais também analisados (7,3% dos homens, 27% das mulheres com constipação), confirmando a enorme quantidade de indivíduos que padecem desse mal.

Mais comumente, fala-se em constipação intestinal quando o paciente evacua menos de três vezes por semana. O constipado crônico pode ainda considerar-se constipado independentemente do ritmo evacuatório, quando apresenta sensação de que não eliminou as fezes totalmente, fezes endurecidas ou quando há necessidade de grande esforço na hora de evacuar.

Como a constipação é diagnosticada?

O diagnóstico da constipação é feito basicamente por critérios clínicos (quantas vezes o paciente vai ao banheiro, consistência das fezes, dificuldade para evacuar), entre-tanto, muitas vezes, é necessário utilizar alguns testes para descartar causas secundárias e avaliar qual a melhor estratégia de tratamento. Exames específicos como trânsito colonião, manometria anorretal e defecograma podem ser utilizados.

A constipação pode ocasionar alguma complicação?

Sim. Pacientes com constipação crônica apresentam maior frequência de hemorroidas (veias dilatadas na região anal), diverticulose (saculações que se formam de dentro para fora da parede do intestino, assintomáticas na maioria das vezes), fissuras anais (lesões na região anal que se relacionam à contração exacerbada do esfíncter anal e provocam dor e sangramento ao evacuar). No entanto, a principal consequência que a constipação intestinal provoca é um grande prejuízo à qualidade de vida.

Quais são as principais causas de constipação?

A constipação pode ser causada por vários fatores. São comuns baixa ingestão de fibras e de água, falta de exercícios físicos (comum em idosos e grávidas), hábito de bloquear a ida ao banheiro (comum em mulheres que não conseguem evacuar fora de casa). Outras causas Comuns são doenças que impedem que o paciente exerça esforço abdominal adequado (idosos, pacientes com doenças neurológicas, acamados), ou, ainda, pacientes que contraem de forma inadequada a musculatura de região do períneo (anismo, retocele, prolapso reta I etc.). A constipação pode ser ainda secundária ao uso de medicamentos (loperamida, amitriptilina, nortriptilina, anlodipino etc.), tumores, grandes dilatações intestinais congênitas ou adquiridas (megacólon), doenças sistêmicas descompensadas (diabetes, hipotireoidismo, esclerodermia etc.).

Como se trata a constipação?

A constipação é tratada primeiro orientando o paciente sobre a necessidade de ingerir adequadamente fibras (seja as contidas nos alimentos ou por meio de produtos específicos) e água, estimulando o exercício físico, retirando ou trocando medicamentos que podem ser constipantes, tratando eventuais doenças que possam ser causa de constipação, utilizando medicamentos específicos para esse mal ou, ainda, em casos selecionados, "treinar" o paciente para que contraia e relaxe a musculatura perineal correta durante o ato evacuatório (biofeedback). Em casos mais raros, ainda se pode realizar cirurgia.

Por que as fibras são importantes?

As fibras aumentam o volume das fezes, distendendo o intestino, o que estimula seu funcionamento. Além disso, principalmente as fibras solúveis (que se dissolvem na água), retêm mais água no bolo fecal, o que melhora sua consistência, desde que o paciente mantenha ingesta de líquidos adequada. Isso tudo facilita o trânsito intestinal e a evacuação.

Qual a quantidade diária de fibras recomendada?

A ingestão de fibras alimentares recomendada para um adulto é de aproximadamente 20 a 35 g por dia.

Quais são os alimentos que contêm fibras?

Os principais alimentos que contêm fibras são vegetais (legumes, verduras de folha, raízes), frutas (frescas ou secas), leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, fava, soja), cereais integrais (pão, arroz, massa, aveia), oleaginosas (noz, avelã, amêndoa) e sementes (gergelim, frutas).

Quais alimentos são praticamente isentos de fibras?

Geralmente, as proteínas animais (carnes, leite, ovos, peixe, queijos), as gorduras (manteiga, óleos em geral, creme de leite), vários tipos de doces e massas com ce¬reais refinados.

As fibras presentes nos alimentos são todas iguais?

Não. As fibras podem ser solúveis e insolúveis. Ambos os tipos estão presentes em quase todos os alimentos que contêm fibras, em maior ou menor quantidade. Para o bom funcionamento intestinal, recomenda-se a inges¬tão balanceada de fibras solúveis e insolúveis.

Medicamentos são recomendados para suprir as necessidades diárias de fibras?

Após a avaliação de seu médico, ele poderá orientar o uso suplementar de fibras. Atualmente existem medica¬mentos compostos de grandes concentrações de fibras 100% vegetais, como as originárias da planta Plantago ovata, que contribuem para suprir a carência de fibras da dieta, além de prevenir e tratar a constipação intestinal.

NÃO ESQUEÇA: UTILIZE MEDICAMENTOS APENAS COM RECOMENDAÇÃO MÉDICA.

Além da constipação intestinal, as fibras podem contribuir de outras formas para a saúde?

Sim. Diversos estudos têm demonstrado que, além de beneficiarem o tratamento da constipação intestinal, as fibras constituem tratamento auxiliar em outras doenças, como o diabetes tipo 2, a hipercolesterolemia (excesso de colesterol no sangue), e em dietas de emagrecimento. No tratamento do diabetes tipo 2 e da hipercolesterole¬mia, as fibras auxiliam diminuindo a absorção intestinal dos açúcares e das gorduras. Com relação às dietas de emagrecimento, as fibras também desempenham uma função importante, pois, quando ingeridas em grande quantidade nas refeições, podem provocar a sensação de saciedade e diminuir o apetite.

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